O projeto Brazilian Reproducibility Initiative – ou Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade – recebeu o prêmio da Einstein Foundation 2025 na categoria Institutional Award (Prêmio Institucional).
Sediada no Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e coordenada pelo Prof. Dr. Olavo Amaral, a Iniciativa tem como objetivo avaliar e melhorar a reprodutibilidade de experimentos científicos brasileiros no campo das ciências biomédicas. A reprodutibilidade significa que um experimento realizado em um laboratório pode ser replicado em outro laboratório, seguindo os mesmos protocolos científicos e gerando os mesmos resultados. A possibilidade de replicar experimentos e seus resultados garante a confiabilidade das pesquisas.
Desde que foi iniciado em 2018, após receber financiamento do Instituto Serrapilheira em uma chamada de 2017, o projeto recebeu contribuições de 213 pesquisadores em 56 laboratórios, e já completou 143 replicações de 56 experimentos publicados. Os resultados mostraram que as taxas de replicação bem-sucedidas variaram de 15% a 45%, números que ajudaram a revelar os fatores que influenciam o sucesso das replicações, como a qualidade dos protocolos, a infraestrutura dos laboratórios e as diferenças nos treinamentos das equipes.
Essa conscientização sobre os fatores que impactam a reprodutibilidade tem ajudado cientistas brasileiros a entender o que é preciso fazer para publicar pesquisas mais claras, com maior possibilidade de sucesso na reprodutibilidade. Nesse sentido, o projeto brasileiro tem contribuído para a identificação de maneiras concretas para que cientistas aprimorem suas práticas, o que inclui a padronização de terminologias, o aprimoramento do desenvolvimento de protocolos e o fortalecimento da gestão de dados.
O projeto gerou alguns subprojetos (spin-offs) importantes, entre eles a plataforma Brazilian Reproducibility Initiative Systematic review and meta-Analysis (BRISA), voltada para revisões sistemáticas e meta-análises em pesquisas pré-clínicas, e a Rede Brasileira de Reprodutibilidade (Brazilian Reproducibility Network), que conecta pesquisadores de diversas instituições para promover práticas de ciência aberta. Em 2024, a Rede forneceu recomendações à CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) que serviram como subsídio para mudanças nas políticas da agência federal de fomento à pesquisa.
A Einstein Foundation reconheceu a importância da Brazilian Reproducibility Initiative como uma das poucas iniciativas de replicação sistemática de experimentos laboratoriais no campo da biomedicina em todo o mundo, destacando também a capacidade do projeto de articular pesquisadores de um único país com o objetivo de desenvolvimento da ciência nacional. Como parte da premiação, o projeto receberá €100.000,00 (cem mil euros), o que deve garantir a continuação sustentável do projeto pelos próximos anos.
Confira a entrevista que o Prof. Dr. Olavo Amaral concedeu ao Prof. Dr. Ulrich Dirnagl no canal da Einstein Foundation, em que aponta a importância do projeto para a coleta de dados e também para o aumento do conhecimento sobre a reprodutibilidade na ciência brasileira:
Além do prêmio para o projeto brasileiro, também foram premiados a Profa. Dra. Simine Vazire (Melbourne School of Psychological Sciences in the Ethics and Wellbeing Hub) na categoria Individual Award, e o projeto Erring Rigorously, liderado pelo Dr. Maximilian Sprang (University Medical Center of the Johannes Gutenberg University Mainz), na categoria Early Career Award.
Todas as informações sobre os vencedores podem ser encontradas na página oficial do Einstein Foundation Award 2025.



