O Projeto NOX, iniciativa de extensão dos estudantes do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP) dedicada ao combate à desinformação e à divulgação da produção científica da Universidade, iniciou uma nova série de entrevistas dedicadas ao Comprehensive Center for Precision Oncology (C2PO), centro de pesquisa da USP.
O primeiro episódio, apresentado pela estudante Rafaela Iumatti Barbosa (IQ-USP), recebe o coordenador do C2PO, o Prof. Dr. Roger Chammas. A entrevista aborda a criação e os objetivos do centro, iniciativa que reúne grupos de cientistas de diferentes unidades da USP para promover pesquisas colaborativas em Oncologia de Precisão e acelerar a transformação do conhecimento científico em benefícios para os pacientes.
Durante a entrevista, o Prof. Roger Chammas explica que uma das principais missões do C2PO é integrar laboratórios e pesquisadores de diferentes áreas da Universidade e incentivar o compartilhamento de infraestrutura entre grupos de pesquisa. Por exemplo, o compartilhamento de amostras biológicas e de informações clínicas entre diferentes grupos, permitindo que diferentes equipes aproveitem recursos que já estão disponíveis na Universidade.
Além disso, o Professor destaca a importância da pesquisa translacional como uma das bases do centro, um modelo de pesquisa que busca aproximar o laboratório da realidade clínica. Isto significa compreender os problemas enfrentados pelos pacientes oncológicos, formular perguntas científicas relevantes e acelerar o desenvolvimento de novas soluções para o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Professor, quanto mais próximos os pesquisadores estiverem dos problemas enfrentados pelos pacientes, maiores são as chances de responder questões científicas capazes de impactar realmente o cuidado em saúde.
Ao abordar o conceito de Oncologia de Precisão, que nomeia o centro, o Professor explica que o objetivo é tornar o diagnóstico cada vez mais preciso para oferecer tratamentos mais adequados às características de cada paciente. Ele ressalta que pessoas com um mesmo tipo de câncer podem responder de maneiras diferentes às terapias e que a própria doença pode se modificar ao longo do tempo, exigindo abordagens individualizadas.
O Prof. Chammas também discute a posição do Brasil no cenário internacional da pesquisa em câncer. Segundo ele, o país convive com duas realidades distintas, representadas pelos sistemas público e privado de saúde, o que torna ainda mais importante o desenvolvimento de soluções inovadoras que possam ser incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e diminuam a desigualdade do atendimento. Nesse sentido, ele reafirma que a missão do C2PO é contribuir para que inovações científicas cheguem à população por meio do SUS.
Durante a conversa, ele também aborda algumas das principais desinformações relacionadas ao câncer. Entre elas estão a expectativa de que exista uma solução simples para uma doença extremamente complexa e a falsa ideia de que já haveria uma cura conhecida, mantida em segredo pela indústria farmacêutica por razões econômicas.
Ao falar sobre os avanços mais promissores da oncologia, ele destaca que o conhecimento científico acumulado nas últimas décadas tem proporcionado melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes. Entre os exemplos citados estão a evolução da compreensão molecular dos tumores, os avanços da imunoterapia e os tratamentos-alvo dirigidos.
O Projeto NOX é coordenado pelo Prof. Dr. Guilherme Andrade Marson (IQ-USP). Participaram da produção do episódio os estudantes Aline Alves Sato (IQ-USP), Bruno Zappia Correia (IQ-USP), Caio Pegorin Barretos (IQ-USP), Gustavo Soares Oliveira (IQ-USP), Josué Lin (IQ-USP), Maria Luisa Araujo da Silva (ECA-USP), Rafael Joaquim Parra (IQ-USP), Rafaela Iumatti Barbosa (IQ-USP) e Victor Hugo do Porto (FCF-USP).



