No dia 12 de agosto de 2026, aconteceu a entrega do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, realizado em parceria entre o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e a Folha de S. Paulo.
A abertura foi realizada pelo Prof. Dr. William Carlos Nahas, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e Presidente do Conselho Diretor do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), que destacou a importância do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, que chegou a sua 17ª edição.
Em seguida, Vinicius Mota, editor-executivo da Folha de S. Paulo, falou sobre o interesse do publisher do jornal, Octavio Frias de Oliveira, que dá nome ao prêmio, por iniciativas voltadas para a pesquisa em saúde e a importância do jornalismo de ciência e saúde para a Folha.
O Prof. Dr. Paulo Hoff, Professor da FMUSP e Diretor Técnico da Divisão de Oncologia do Icesp, Presidente da Comissão Julgadora do prêmio, falou sobre a criação do prêmio e sua intenção de privilegiar iniciativas científicas brasileiras, reconhecendo tanto as iniciativas que contribuem para conhecimentos estabelecidos, quanto as que se configuram como inovações.
Após a abertura, foram anunciados os vencedores. Na categoria Pesquisa em Oncologia, venceu o trabalho High mtDNA content identifies oxidative phosphorylation-driven acute myeloid leukemias and represents a therapeutic vulnerability. O prêmio foi recebido pelo Dr. Juan Luiz Coelho-Silva.
O estudo identificou que, em pacientes com leucemia mieloide aguda, o elevado conteúdo de DNA mitocondrial é um biomarcador que indica resistência tumoral à quimioterapia. A descoberta ajuda a prever quais pacientes terão resistência à quimioterapia, ajudando no planejamento de um tratamento mais eficaz. Além disso, a descoberta representa uma vulnerabilidade biológica que pode ser explorada no desenvolvimento de novas terapias.
Na categoria Inovação Tecnológica em Oncologia, venceu a pesquisa Nose-to-Brain Delivery of Biomimetic Nanoparticles for Glioblastoma Targeted Therapy. O prêmio foi recebido pela Dra. Natália Noronha Ferreira.
A inovação consiste no desenvolvimento de nanopartículas biomiméticas capazes de transportar medicamentos quimioterápicos para o tratamento de glioblastoma – um dos cânceres de cérebro mais agressivos – pela via nasal, o que permite que o tratamento passe por menos barreiras e chegue de forma mais direta ao cérebro. Essa nova via pode ser mais eficaz do que a via oral, exigir doses menores de medicamentos e acarretar menos efeitos colaterais.
Na categoria Personalidade de Destaque, a vencedora foi a Profa. Dra. Luisa Lina Villa, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), e pesquisadora membro do C2PO.
A Professora foi reconhecida por suas décadas de estudos sobre o HPV, que ajudaram a estabelecer a relação entre a infecção por HPV e a ocorrência de diversos tipos de cânceres em mulheres e homens, especialmente o câncer de colo de útero. A Profa. Luisa Villa também teve papel fundamental no avanço de políticas públicas para a adoção de vacinas contra o HPV, com a comprovação da efetividade da vacinação.
A Profa. Luisa Lina Villa falou sobre a importância da comunicação científica, especialmente sobre as vacinas contra o HPV: “Existe um desafio imenso em levar a população aos serviços de saúde para a vacinação contra o HPV, para evitarmos o desenvolvimento do câncer.”
Questionada sobre o que precisa mudar para aumentar a vacinação, a Professora respondeu que a vacinação só é possível com vontade política, e que essa etapa foi vencida no Brasil, porque a vacinação contra HPV já é uma política pública real. Porém, falta um esforço de comunicação e combate à desinformação sobre vacinas e sobre saúde, para que a população elegível vá até os postos de saúde e seja imunizada. Ela lembrou que o câncer de colo de útero poderia ser erradicado: “É real a perspectiva de eliminação do câncer de colo de útero através da vacinação e do rastreamento.”
Tratando sobre os desafios, a Profa. Luisa Lina Villa falou que as atuais pesquisas sobre HPV buscam novas terapias para os cânceres causados por HPV. Ela também apontou como desafio atrair novos pesquisadores para as pesquisas científicas sobre HPV.
Em uma conversa com a jornalista Cláudia Colucci, repórter especial de saúde da Folha de S. Paulo, os vencedores responderam a perguntas sobre as especificidades de seus trabalhos e as perspectivas de implementação dos conhecimentos e inovações.
O Dr. Juan Luiz Coelho-Silva descreveu que nos próximos anos a pesquisa deve passar para a fase clínica, sendo aplicada a pacientes e implementada na saúde pública. Ambos apontaram o financiamento à ciência como importante desafio a ser vencido para produzir trabalhos de ponta no Brasil, e destacaram a importância da colaboração entre diferentes cientistas e diferentes instituições para a obtenção de resultados. O pesquisador também destacou a escolha da metformina por sua conhecida segurança, o que pode acelerar sua adoção. Dados preliminares indicam eficácia primária, mas a prova de conceito ainda está em andamento. Ainda faltam etapas de pesquisa clínica e estudos randomizados de dois braços.
A Dra. Natália Noronha Ferreira apontou que o próximo passo é estudar como linhagens metiladas e não metiladas respondem ao componente com esta forma de administração, o que pode representar um avanço no tratamento de um subtipo de glioblastoma ainda mais difícil de tratar pelos métodos atuais. Também compartilhou a intenção de realizar pesquisas em modelos animais com tumor induzido antes de realizar pesquisas clínicas e levar a inovação aos pacientes.
Os dois trabalhos vencedores tiveram contribuições de pesquisadores membros do C2PO.
Ao final da cerimônia, os prêmios foram entregues aos vencedores. O Prof. Dr. Roger Chammas, Professor da FMUSP e Coordenador do Centro de Investigação Translacional em Oncologia (CTO) do Icesp, entregou o prêmio à Dra. Natália Noronha Ferreira. O Prof. Dr. Paulo Hoff entregou o prêmio ao Dr. Juan Luiz Coelho-Silva. E Vinicius Mota entregou o prêmio à Profa. Dra. Luisa Lina Villa.



