Aconteceu no dia 12 de agosto de 2025 o XVI Prêmio Octávio Frias de Oliveira, realizado em parceria entre o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e a Folha de S.Paulo.
A premiação divide-se em três categorias: Pesquisa em Oncologia, Inovação Tecnológica em Oncologia e Personalidade de Destaque em Oncologia.
Na primeira categoria, concorreram publicações em revistas científicas que apresentaram novos conhecimentos sobre cânceres e suas formas de tratamento. Na segunda, concorreram patentes ou trabalhos originais publicados em revistas científicas que desenvolveram novas tecnologias. A terceira categoria homenageia uma personalidade da área da Oncologia.
Pesquisa em Oncologia
O prêmio na categoria Pesquisa em Oncologia foi concedido a cientistas que descobriram uma versão alterada do gene STK3, que produz uma forma modificada da proteína MST2. Essa proteína anormal aparece em vários tipos de câncer e pode atrapalhar o mecanismo natural de morte das células.
Intitulado Identificação de um novo isoforma de splicing alternativo da quinase Hippo STK3/MST2 com atividades reduzidas de quinase e supressão do crescimento celular, o trabalho foi realizado pela Universidade de São Paulo (USP) com colaboração de pesquisadores do Sírio-Libanês e da Universidade de Nova York (NYU). O prêmio foi recebido pelo Professor Alexandre Bruni-Cardoso, do Instituto de Química da USP. A Dra. Ana Maria Rodrigues, que atualmente realiza pós-doutorado na Universidade da Pensilvânia, enviou um vídeo de agradecimento.
A categoria teve como outros finalistas os trabalhos Inibição farmacológica da ezrina reduz o fenótipo proliferativo e invasivo em células de leucemia linfoblástica aguda (USP) e Conhecendo o panorama genético dos feocromocitomas e paragangliomas em uma coorte brasileira (USP).
Inovação Tecnológica
O trabalho vencedor desenvolveu uma forma de melhorar o rastreamento do câncer colorretal. A pesquisa determinou que a presença da bactéria Fusobacterium nucleatum (Fn), associada a sangue oculto nas fezes, é um indicador de câncer colorretal. O teste é feito utilizando o mesmo material coletado para o FIT (Teste Imunoquímico Fecal), um exame que avalia a presença de sangue oculto nas fezes, de modo que não é necessário realizar nova coleta. Com a tecnologia, é possível indicar com mais rapidez quais pacientes precisam passar por uma colonoscopia.
Intitulado Aprimorando a triagem do câncer colorretal com análise por PCR digital em gotículas de Fusobacterium nucleatum em amostras do teste imunológico fecal, o trabalho foi desenvolvido no Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital de Câncer de Barretos. O prêmio foi recebido pelo biólogo José Guilherme Datorre.
A categoria teve como outros finalistas os trabalhos: Alvo na PRC2 aumenta a capacidade citotóxica das células CAR-T anti-CD19 contra malignidades hematológicas (A.C Camargo Cancer Center) e Integração da química verde à nanotecnologia médica: uma nova perspectiva para o tratamento do câncer (Universidade Federal do Ceará e Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Personalidade de Destaque
A Professora Maria Paula Curado, médica oncologista e chefe de Epidemiologia e Estatística em Câncer do A.C Camargo Cancer Center, foi escolhida como Personalidade de Destaque. A Professora Curado é formada em medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e é professora de pós-graduação do A.C Camargo Cancer Center.
A Professora tem um amplo e reconhecido trabalho na área de Epidemiologia do Câncer. Curado foi pioneira no estabelecimento de mecanismos para a produção de estatísticas epidemiológicas sobre câncer no estado de Goiás, onde nasceu. Também teve destaque trabalhando para a IARC (International Agency for Research on Cancer ou Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), onde atuou para o desenvolvimento de dados epidemiológicos sobre câncer em diferentes países.
Durante conversa entre os premiados, com mediação da jornalista Cláudia Collucci, a Professora Curado destacou a importância de se pensar nas diferenças regionais que ainda prevalecem no Brasil, além de ter chamado a atenção para a demora que ainda existe para que pacientes oncológicos iniciem o tratamento.

Os vencedores foram escolhidos por uma Comissão de representantes do ICESP, da Folha, da USP, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), da Academia Nacional de Medicina (ANM), da Academia Brasileira de Ciências (ABC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP).


