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Em entrevista ao Projeto NOX, a Profa. Ana Paula Lepique fala sobre Oncologia de Precisão e Imunologia do Câncer

No segundo episódio da série dedicada ao C2PO, o Projeto NOX, iniciativa de extensão voltada à divulgação científica, realizada por estudantes da Universidade de São Paulo (USP), entrevista a Profa. Ana Paula Lepique, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP).

No episódio, apresentado por Rafaela Iumatti (IQ-USP), a Profa. Lepique começa esclarecendo que o câncer não é uma única doença, mas um conjunto de doenças que apresentam causas, sintomas e tratamentos distintos.

Ao explicar o conceito de oncologia de precisão, a Professora destaca que o objetivo é compreender as especificidades de cada tumor e a forma como diferentes pacientes respondem aos tratamentos, permitindo que as terapias sejam mais eficazes e adequadas para cada caso. Ela ressalta ainda que essa abordagem também é importante do ponto de vista do Sistema Único de Saúde (SUS), já que os tratamentos oncológicos costumam ter alto custo e precisam ser direcionados aos pacientes que têm maior probabilidade de se beneficiar deles.

Nesse contexto, a Professora destaca a importância da colaboração entre diferentes Unidades da USP para a criação do C2PO. Segundo ela, a oncologia de precisão é, por natureza, uma área multidisciplinar, tornando a articulação entre diferentes especialidades uma missão complexa, mas essencial.

Lepique também apresenta sua linha de pesquisa em imunologia do câncer. Em seu laboratório, investiga como células tumorais interagem com o sistema imunológico e os mecanismos que permitem aos tumores escapar das respostas de defesa do organismo. Enquanto o sistema imune é capaz de combater agentes potencialmente nocivos e tolerar aqueles que fazem parte do próprio organismo, os tumores frequentemente conseguem explorar essa característica para evitar serem eliminados. Seus estudos buscam compreender como essas células se comunicam com o sistema imunológico e modulam essas respostas, com foco em câncer de colo do útero, câncer de ovário e câncer de cabeça e pescoço (orofaringe).

Outro tema abordado é a relação entre o HPV e o câncer. A entrevistada explica que a infecção persistente por alguns tipos do vírus aumenta significativamente o risco de desenvolvimento do câncer de colo do útero. Isso, no entanto, não significa que todas as pessoas infectadas desenvolverão a doença, mas que o risco é consideravelmente maior em comparação àquelas que não apresentam infecção persistente. Ela também reforça a importância da vacinação contra o HPV como estratégia de prevenção.

Durante a entrevista, a Professora também ressalta a importância da divulgação científica como uma das missões do C2PO. Segundo ela, disseminar informações corretas, baseadas em evidências e provenientes de fontes confiáveis, é fundamental para reduzir o estigma associado ao câncer e combater a desinformação.

A entrevista ainda aborda os desafios da pesquisa colaborativa e da rotina em laboratório. A Professora destaca a importância da humanização na pesquisa e da aproximação entre cientistas e pacientes. Segundo ela, o contato com os pacientes ajuda os pesquisadores a manterem em perspectiva o impacto de seu trabalho, enquanto explicar como as pesquisas são conduzidas e de que forma os pacientes contribuem para os estudos fortalece a confiança da sociedade na ciência.

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